segunda-feira, 26 de março de 2012

Diz-me poeta, que silêncios refugias em tu’alma



Que tantos pesares acaçapas por entre os ademais de teus límpidos e negros olhos – olhos d’amor.


Hão que se dizer distintos, hão que desfazer os instintos


Rubros de agonia, gris discreto e melancólico.


Afugenta de mim, oh tu poeta de tantas ternuras, as suspeitas e os desleixos


Que tantas dores abrigas em vosso peito?


Que desmantelos ostentas em tua face?


Que mazelas ocultas em teu ser?


Que despropósitos , quantos arguis.. a quem imaginas preterir?


Se me escondo


Se te escondes.. se me escondo de ti.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Indubitável, incompreensível, inexplicável.
Impulsivo, inevitável.
Indiscutível.
Indescritível...
Precipitações inventadas
Arranjados arguis de convencimento
Arrojados dilaceres de sentimentos
Injuriados dizeres de melancolia justificantes
Pesares investidos sem qualquer pudor
E para que?
Para que me dizes se não me queres ter?
Tu não sabes ainda, mas supões a dita fachada encoberta que abrigo por entre as entrelinhas minhas.
Descaradas mentiras arrotadas em espaços de “es” e “ses” infinitos
Não o quero mais, e o desejo loucamente!
Oh tu que esbanjas benefícios, tenhas clemência doutros tresloucados outros amantes
Piedade poeta, antes que mo desgarrem os tipos imorais de paixões erradias
Não mo deixes perecer neste vínculo impossível..

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Attraversiamo.

As paredes do meu quarto nunca foram tão azuis. Um azul tedioso e sem vida. Combinavam com o manto gris que se despontava da minha janela. Estava frio. Peguei um cobertor, abri o livro posto na cabeceira da cama – não sei bem há quanto tempo estava ali, esquecido.
Aos domingos, costumávamos sentar no jardim, bebíamos um bom vinho e conversávamos. E os nossos olhares se encontravam entre uma linha e outra. Os lábios que estalavam de encontro às taças e a brisa secretavam impolutos sonhos de gozos; eu e ele, entremeados pela luz que vinha da sala. O desejo nos corrompia, e as paredes azuis do meu quarto, hoje tediosas, eram quentes, fervilhavam amores, ardiam em delícias. Ah, as noites de domingo...
 O trinar desesperador do relógio não cabia naquele momento. Eu tinha medo. Ele tinha sonhos. Eu precisava fugir, havia perdido toda e qualquer noção de tempo e espaço naquela semana! Sentia sono, fome, sequiosa d’algum deleite que me fizesse crer no que ouvia. Deus, por favor, me diga o que fazer..
Me parecia absurdo aceitar o seu convite, e eu tentei dizer, mas ele não me ouvia, estava sufocando em angústia. Eu havia decidido, no auge de minha boa educação, que era melhor me manter segura do lado de dentro de mim mesma. Os caminhos eram tortuosos, incertos, e eu não podia me expor mais. Eu tinha medo. Ele tinha sonhos.
Sair correndo não me parecia a melhor opção, mas era a única.
Depois não disse mais nada. O depois... Não existiu o depois. Mas os dias corriam e eu não conseguia sequer por um segundo deixar de pensar naquela manhã, em que me deixei parada defronte o mar, marejando os olhos cálidos. Sim, eu também fiquei ali, magoada com a minha própria decisão.
Mas e quem liga pros acasos? Alguém me disse uma vez, que os ocasos são melhores quando ladeados pelos acasos.
Corri como nunca! Alcancei-o numa esquina qualquer, bebericando um café frio, tresmalhado, d’olhos pudicos. Veio ao meu encontro, buscou minhas mãos, beijou-as pronta e profundamente. 
Sorriu. Eu também sorri.
Eu tinha medo e ele.. ele tinha sonhos!
Attraversiamo, disse. E era tudo o que eu precisava ouvir.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Interminavelmente insaciável - quando tudo começou.

Se a minha vida tivesse uma trilha sonora, com certeza teria o nome dos Los Hermanos no meio. Parece que toda letra tem um trechinho que foi feito pra mim. Como naquela vez em que eu soube da traição do senhor xis, e ouvi aquela música Não consigo entender, me trocar por outro alguém, traição já é demais (...). Eu passei dias, horas, vibrava com essa música. Cada vez que a ouvia ou que a cantava, parecia que tinha sido feita pensando em mim! E das vezes que eu brigava com o menino? Tira esse azedume do meu peito, e com respeito trate minha dor!(...) Eu era a própria revolta sentida no som! E o mais engraçado é depois, quando tudo passa e você se lembra de como tudo era tão intenso e parecia não ter fim, nem ter futuro. Como a gente se engana, não é?


Eu me lembro dos meus doze anos, quando eu me apaixonei perdidamente por um rapazinho que estudava comigo no colégio. Ele era lindo, e o nome dele parecia ter saído de alguma página de um livro antigo, daqueles que emocionam, sabe? Daqueles que a gente só larga quando sabe o fim? A gente se dava muito bem, e eu o adorava! Mas ele só me via como amiga, coitada de mim... Fiquei tão triste. Pensei que nunca mais ia me apaixonar de novo, pensei que nunca mais ia encontrar alguém que fosse pelo menos metade do que ele era pra mim. Sabe, adolescente é um bixo engraçado, sente tudo como se fosse pra sempre. E depois a gente cresce e ri daquele tempo, porque agora a gente sabe que não é todo pra sempre que é pra sempre. Depois a gente aprende que a chuva para, o asfalto quebra, a noite cai, a alegria é como cosquinha e uma hora, uma hora a gente tem que ir pra cama. E a vida passa a ser mais bela, mais tranquila, mais pacífica. Tudo melhora.

Aí a gente se apaixona de novo, chora de novo, sofre de novo, sente tudo com a mesma intensidade que antes – talvez até mais, porque agora a gente sabe que o cheiro de coisa nova passa com o tempo – e quando tudo termina, agente ainda pensa que nunca mais vai sentir de novo. Coisa engraçada é a maturidade, parece que quanto mais a gente aprende, mais burro fica! Mas também, se não fosse assim não teria a mínima graça! Não tem nada melhor do que se apaixonar! Sonhar todas as noites, sonhar acordada, sentir aquele friozinho na barriga, ficar feliz só de ouvir a voz dele. Arrepiar até a espinha sentindo o toque... E chorar feito louca quando briga, achar que vai morrer solteira quando termina.

Lúcia, amor e tosse não dá pra esconder. Nunca mais eu esqueço! Acabei de ver essa frase e não pude deixar de rir da simplicidade e profundo senso de realidade de quem escreveu. De fato, são duas coisas que não dão pra esconder. No máximo a gente abafa com a mão pra não deixar ninguém ouvir, mas no fim das contas, todo mundo acaba sabendo que a gente ama e tosse, sempre que se sente pra sempre e às vezes nunca.

Cada um com o seu cada qual. Eu tinha um cada-qual, mas pedi que ele fosse embora pra eu poder ser feliz sendo só um cada-um. Daí, de repente, quando eu menos esperava, quando eu sequer me sentia às vezes nunca, a vida me trouxe um novo cada-qual. Até bem parecido com aquele outro de quando eu tinha doze anos, e por alguns dias, eu tenho me sentido com doze anos novamente; só que com um tantinho mais de vontade, de bem querença, de miolo na cabeça. Às vezes eu me sinto um pouco seque-a-boca-de-promessas e cada vez mais me-procure-quando-estiver-mais-que-metade. Eu acho que mereço um pouco mais que metade, não é?! Afinal quem gosta das coisas assim, pela metade? Quem prefere a bala de coco faltando um pedaço, ou só um teco do pão-de-ló? Eu não. Eu gosto de ser a laranja inteira da minha metade que falta – evita perdas inevitáveis, buscas intermináveis, sedes insaciáveis. A parte que não cabe, é que eu continuo querendo e sendo interminavelmente inevitável e insaciável – com a graça de Deus.

Esperar – eis o meu fardo.

“Você tem que ser mais Escorpião e cortar fora a parte ferida. Chega de meias-solas e paliativos. Na minha opinião, você precisa de UMA BOA CAMA (ou várias) […]. Toma um porre, fuma um baseado, mas por favor — desguia.”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ensimesmada em vazios pertinentes

Permanentes

Insistentes e ilusórios

Apercebo-me de conversações e absorvo-me de contestações tolas

Arguis condizentes com Nada

O nada de sempre, o nada ausente

Simplesmente o nada.

E a culpa.

Culpa quieta, posta e inquisitória..

E são tantas as peças e são tantos os dizeres

Quereria que se calassem todos..

Quereria mais, que se despontasse o que bancar.

Perpetrar sem os calos, sem os arrazoais

Sem os porquês inúteis

Sem os perdões irrisórios

E os liames de hipocrisia.

Para que tanto?

Para que me tentas com teus professos juízos d’imaculados podes e não-podes infinitos?

Eu não posso-mais-não-sei-o-quê – mas tu o sabes.

Carpir-se de injurias profanadas e dantescas previsões

Preferiria o derredor, o arcar, o ser, o inexistir.

Preferiria ainda o não ser a ninguém, e o silêncio.

Só o silencio..

Quem sabe assim não mo calassem os ataques d’incertezas

Os tipos de ditos causos

Os porcos e os corpos

D’amores pueris e impolutos

Qual o que! Tanto pérfidos quanto (...)